Eu estava no comboio quando tudo virou poeira em um segundo. Um clarão, um estrondo — e eu fui jogado para trás. Quando levantei a cabeça, vi algo que gelou meu sangue: uma bomba com o meu nome escrito nela. Tentei correr, mas a explosão me alcançou. A dor foi tão forte que eu nem consegui gritar. Desmaiei ali mesmo, no meio da areia. Quando acordei, não podia me mexer. Havia fios presos no meu peito… e um eletroímã me mantendo vivo. Os homens que me capturaram queriam que eu construísse uma arma. Uma das minhas armas. Naquela hora eu entendi: se eu ajudasse, eu morreria depois. Se eu recusasse, morreria antes. Foi então que conheci Yinsen. Quieto, inteligente… e a única pessoa ali que ainda me enxergava como um ser humano. Ele me ajudou a entender o que estava me mantendo vivo e também o que estava me mantendo preso. Usamos cada pedaço de metal, cada parafuso, para construir não uma arma… mas uma saída. A cada martelada eu sentia o risco. A qualquer momento eles poderiam descobrir. E descobriram. Mas já era tarde demais. Vesti a armadura improvisada. Pesada, rude… mas era a minha chance. Quando abri os olhos por trás daquela máscara, eu sabia que não tinha mais volta. Explodi a porta, enfrentei o fogo cruzado e corri pelo túnel enquanto tudo desabava. Yinsen ficou para trás — quando o alcancei, ele já estava caído. Mesmo assim, sorriu. Disse que essa era a hora de eu fazer algo da minha vida. A explosão final me lançou para o deserto. A armadura virou sucata, eu fiquei ali, de joelhos, tentando respirar. Mas eu estava vivo. E pela primeira vez em muito tempo… eu sabia exatamente o que precisava fazer.
