Sertão... terra de sol forte e é ainda mais quente. Terra que me ensinou o valor da saudade, do galope da seca, da lágrima da esperança. Quantas vezes eu vi gente indo embora, de mala e coração na mão, deixando pra trás a casa, o gado, o sonho de chuva. Foi por eles, foi por nós, que nasceu Asa Branca. Uma despedida... que ainda espera voltar. Sertão de noites compridas, onde o silêncio fala e o céu é um manto de esperança. Foi debaixo desse luar que eu aprendi que beleza não precisa de luxo: basta uma estrela riscando o céu, uma viola no terreiro e um amor dentro do peito. O "Luar do Sertão" não se compara a nada nesse mundo O tempo da menina é bonito de se ver... O vestido rodando, a vergonha nos olhos, o sonho plantado no peito. No sertão, cada moça que dança o xote carrega mais que leveza: carrega a força de quem cresce sabendo lidar com a seca, com o amor e com a vida. "Xote das meninas" é a dança da esperança no terreiro do mundo" Quando chega o mês de junho, o céu do sertão se enfeita de fogueira e bandeirola. É tempo de promessa, de alegria e de saudade boa. ‘Olha Pro Céu’ nasceu olhando pra esse espetáculo que só o sertanejo conhece: o céu iluminado de estrelas e o coração aquecido de amor e esperança. O sertanejo sonha com a água como quem sonha com um tesouro. Cada riacho seco guarda um desejo de vida. ‘Riacho do Navio’ é mais que uma música: é o retrato da esperança de ver o sertão florir de novo. Sonhar que um dia o peixe nade de volta ao quintal da nossa casa é sonhar com a fartura, com o riso, com a volta do que é nosso. O sertão me ensinou a respeitar a natureza como se respeita um pai e uma mãe. Cada árvore, cada rio, cada bicho tem sua função nessa grande orquestra que é o mundo. ‘Xote Ecológico’ foi meu grito de alerta, minha tentativa de acordar o povo pro perigo que é esquecer da nossa casa maior: a Terra. Hoje, essa canção é mais atual do que nunca. Com o fole no peito e a estrada no olhar. Nunca parei muito tempo num só lugar... porque minha alma era de andante, e meu palco o som do sertão pelo mundo. A sanfona era minha companheira de mala, mas o povo era sempre o meu ponto de chegada. ‘Viajante’ é meu retrato em forma de música. Também é o retrato de todo brasileiro que carrega um pedaço da sua terra no coração. Com o fole no peito e a estrada no olhar. Nunca parei muito tempo num só lugar... porque minha alma era de andante, e meu palco o som do sertão pelo mundo. A sanfona era minha companheira de mala, mas o povo era sempre o meu ponto de chegada. ‘Viajante’ é meu retrato em forma de música. Também é o retrato de todo brasileiro que carrega um pedaço da sua terra no coração. E quando a gente pensa que a saudade diminui, ela vem... e cresce feito mato no inverno. ‘Qui Nem Jiló’ fala dessa tristeza doce que é sentir falta do que foi bom. Mas o sertanejo aprende cedo: a dor também faz brotar poesia. E enquanto houver saudade, haverá música. Obrigado, meu povo, por caminhar comigo nessa estrada de baião e de amor.
