No lombo do jumento vai a cangaia. Nas costas do nordestino, vai a vida inteira. Vai o sol queimando a pele, vai a terra rachada pedindo chuva, vai o silêncio do sertão falando mais alto que mil palavras. A cangaia range, pesa, machuca. É madeira dura, é nó apertado. Mas no peito do nordestino mora um coração arretado, que apanha do tempo, mas nunca se rende. Cada passo na estrada de barro é um verso de resistência. Cada suor que cai no chão vira semente de esperança. O sertão dói… mas também ensina a ser forte, a ser inteiro, a ser raiz. O nordestino carrega fardo, carrega dor, carrega fé. E mesmo cansado, segue em frente, porque quem nasce no sertão aprende cedo: o peso da cangaia pode ser grande, mas a alma é maior.
