Nove. Eram nove montanhistas subindo uma encosta na União Soviética. Jovens. Fortes. A elite de uma geração. Olhe bem para estes sorrisos. Eles não sabiam que a montanha já tinha escolhido a data da morte deles. O que aconteceu no Passo Dyatlov em fevereiro de 1959 não foi um acidente. Botas deixadas para trás. Sangue na neve. O medo fez com que fugissem para a escuridão sem olhar para trás. A perícia confirmou o impossível: a barraca foi rasgada de dentro para fora. Não foi algo tentando entrar. Foi o pânico absoluto tentando sair. Igor Dyatlov era um líder experiente. Ele traçou a rota no mapa. O destino: a Montanha Otorten. Em língua Mansi, Otorten significa "Não vá lá". Um aviso que eles ignoraram com a arrogância da juventude. Os diários recuperados falam de dias felizes. Zina escreveu: "É estranho ir para o branco total quando se deixa tanto calor para trás." Eles cantavam ao redor do fogão. Flerte inocente. Camaradagem. A humanidade antes do horror. A missão era Categoria 3. O nível mais difícil. O vento era como um avião decolando ao lado deles. A neve cegava. Mas eles continuavam. Passo após passo, em direção ao destino final. Primeiro de fevereiro. Eles cometem o erro fatal. Montam acampamento na encosta exposta da montanha Kholat Syakhl. A "Montanha dos Mortos". Expostos ao vento. Expostos à escuridão. Expostos a... algo mais. Vinte e seis dias depois. O piloto do resgate avista algo na imensidão branca. Um ponto minúsculo. Uma barraca meio derrubada. Sem vida. Sem movimento. Apenas o silêncio da neve cobrindo os rastros. Eles saíram correndo. Deixaram para trás casacos, machados, facas. Correram mil e quinhentos metros encosta abaixo. Pisando no gelo afiado apenas de meias. Alguns, descalços. Quem faz isso a trinta graus negativos? Apenas quem teme algo muito pior que o frio. Sob um grande cedro, os dois primeiros corpos. Os dois Yuris. Estavam de roupas íntimas, ao lado de uma fogueira patética que não durou muito. Eles morreram olhando para o acampamento lá em cima. Mas o detalhe macabro estava na árvore. Galhos quebrados até cinco metros de altura. Carne humana encontrada na casca. Um deles estava subindo desesperadamente. Tentando ver se o perigo tinha ido embora? Ou fugindo de algo que estava no chão com eles? Dyatlov e Zina morreram tentando voltar para a barraca. Rastejando na neve. Lutando contra o vento. O frio os parou no meio do caminho. Congelados em posições de luta. Até aqui, a lógica diz hipotermia. Mas a primavera traria a verdadeira face do pesadelo. Maio. O degelo revela o segredo final. Quatro corpos no fundo de uma ravina, soterrados sob quatro metros de neve. Eles estavam melhor vestidos, usando as roupas dos amigos mortos no cedro. Mas os corpos contavam uma história de violência brutal. Zolotaryov e Dubinina. Caixas torácicas colapsadas. Costelas enfiadas nos pulmões. O legista comparou o dano ao impacto de um carro em alta velocidade. Mas a pele... a pele estava intacta. Sem hematomas. Como se tivessem sido esmagados por uma pressão hidráulica gigante. E então... Lyudmila. Quando a encontraram, a boca estava aberta em um grito eterno. Ela não tinha os olhos. E sua língua havia sido removida. Arrancada pela raiz ainda em vida. O que faz isso? O que arranca a voz de uma mulher enquanto esmaga seus ossos? O mistério não acaba nos corpos. Nas roupas, o contador Geiger disparou. Radiação beta. Não havia usinas nucleares ali. Não havia testes declarados. Por que roupas de montanhistas estariam radioativas no meio do nada? Testemunhas a cinquenta quilômetros dali viram esferas alaranjadas flutuando sobre a montanha naquela noite. O investigador principal acreditava que eram OVNIs. Ou seriam testes de armas soviéticas secretas? Minas aéreas explodindo acima do solo? Ou seria o Infrassom? O vento batendo nas rochas criando uma frequência inaudível que causa pânico irracional, náusea e loucura? Um som que você não ouve, mas que sente derretendo seu cérebro? E existe a foto 33. A última foto no rolo de filme de Thibeaux. Um borrão escuro na orla da floresta. Parece um homem? Parece um urso? Ou seria o "Menk", a lenda local que protege a montanha dos intrusos? O governo soviético agiu rápido. O caso foi trancado. As testemunhas silenciadas. A causa oficial da morte: "Uma força natural irresistível". Uma forma elegante do Estado dizer: "Nós não sabemos. E vocês nunca saberão." Eles foram enterrados em caixões de zinco lacrados. As famílias foram proibidas de ver os corpos. Proibidas de ver a cor alaranjada da pele e os cabelos que ficaram grisalhos da noite para o Sessenta anos depois, as teorias se acumulam, mas nenhuma peça se encaixa perfeitamente. Avalanche? Não explica a radiação. Yeti? Não explica a falta de pegadas. Militar? Por que deixar os corpos lá? Eu olho para este caso e vejo o limite da nossa compreensão. A montanha continua lá. Indiferente. Guardando seu segredo gelado. O que você acha que aconteceu? Foi um teste militar? O Yeti? Ou algo de outro mundo? Deixe sua teoria nos comentários. Eu sou o Corvo. E nós nos vemos na próxima sombra.
